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Bioeconomia: uma aliança estratégica entre Vida & Recursos

Atualizado: há 2 dias

Economia é o conjunto de atividades desenvolvidas pelos homens visando a produção, distribuição e o consumo de bens e serviços necessários à sobrevivência, bem como à qualidade de vida. Enquanto disciplina científica, a Economia tem a sociedade como objeto de estudo, prestando particular atenção à sua componente econômica, desenvolvendo estudos sobre forma pela qual os recursos são combinados para produzir bens capazes de satisfazer as necessidades existentes.

Assim, se pensarmos na Ciência Econômica, estaremos falando de uma ciência social, que estuda o funcionamento da Economia Capitalista, sob o pressuposto do comportamento racional do homem econômico. Ou seja, estamos falando da busca da alocação eficiente dos recursos escassos entre inúmeros fins alternativos. Nesse sentido, a Ciência Econômica visa desenvolver uma série de estudos voltados à eficiência e à equidade.

Contudo, no mundo contemporâneo a sustentabilidade da produção às gerações futuras é imposta como quarto problema econômico básico, exigindo que se repense o crescimento econômico e o próprio sentido coletivo do consumo em permanente expansão sem propiciar um verdadeiro bem-estar às sociedade humanas.

A economia fundada nos princípios da mecânica desterrou a vida e a natureza do campo da produção, minando as condições de sustentabilidade ecológica do desenvolvimento. A extrapolação das externalidades econômicas para o terreno dos conflitos socioambientais está mobilizando a reconstrução do processo de produção em novas bases.

A revolução copernicana deslocou a Terra do centro do universo, derrubando a ordem cósmica e sacudindo as hierarquias sociais que sustentavam as relações feudais de poder. A convulsão dos fundamentos que sustentam hoje a ordem econômica dominante nos coloca diante do desafio de transformar, a partir de suas bases, o paradigma insustentável da economia.

Por sua vez, a economia ecológica está construindo um novo paradigma teórico, abrindo as fronteiras interdisciplinares com diferentes campos científicos representados pela ecologia, demografia, tecnologia, termodinâmica antropologia (entre outras) com a finalidade de valorizar e incorporar as condições ecológicas do desenvolvimento.

A partir de uma visão ecossistêmica da produção, a economia ecológica busca subsumir a economia dentro da ecologia, considerada esta como uma teoria mais abrangente, a ciência por excelência das inter-relações. Uma série de eventos vem conduzindo a humanidade na tomada de decisões voltadas à forma como nos relacionamos com a natureza, tendo em mente que seus recursos podem ser esgotados.

Desta forma, sugere-se reordenar a economia dentro da ecologia, introduzindo um conjunto de critérios, condições e normas ecológicas a serem respeitados pelo sistema econômico. Esse enfoque da economia lança um olhar crítico sobre a degradação ecológica e energética resultante dos processos de produção e consumo, tentando sujeitar o intercâmbio econômico às condições do metabolismo geral da natureza.

Essa é uma das razões para que alguns temas - como a energia sustentável, biotecnologia, consumo consciente -, ganhassem reconhecimento nos últimos anos. Nesse cenário, ganha destaque a Bioeconomia.


O que é Bioeconomia?


Uma das primeiras definições de bioeconomia foi do biólogo marinho russo Baranoff. Em 1917, ele a definiu como atividade econômica baseada no uso de recursos naturais renováveis, cujo crescimento deve estar limitado à sua capacidade de regeneração por processos ecológicos.

A partir de iniciativas sustentáveis baseadas na utilização de recursos biológicos renováveis e na criação de inovações às cadeias produtivas – potencializando, com isso -, maiores oportunidades de mercado, conciliando progresso e desenvolvimento socioambiental. Nesse tocante, José Vitor Bomtempo conceitua a Bioeconomia como o uso inovador e sustentável de recursos biológicos renováveis à produção de energia, produtos químicos e materiais, bem como alimentos.


Qual é a finalidade da Bioeconomia?


A Bioeconomia estuda e propõe um novo modelo de produção, focado em sistemas, produtos e serviços sustentáveis – ou seja, menos dependentes da exploração de recursos naturais. Através dos caminhos sustentáveis e do crescimento descentralizado, essa atual forma “do fazer economia” fomenta a construção de uma sociedade mais consciente, capaz de alinhar seu progresso à preservação dos ecossistemas. Para isso, integra recursos naturais, sistemas biológicos e novas tecnologias, tornando possível criar soluções mais efetivas à biosfera e à antroposfera.

Aliar biodiversidade com tecnologia e inovação é a base principal da bioeconomia. O Brasil tem forte potencial para desenvolver esse segmento como uma das maiores chances de se desenvolver de maneira sustentada. Assim, ressalta-se que umas das prioridades para a bioeconomia poder avançar no nosso país está no aprimoramento da legislação - tanto de normas relacionadas ao uso da biodiversidade, quanto para inovação e propriedade intelectual.

O Brasil é detentor de cerca de 20% da biodiversidade do planeta (a maior do mundo), o que deve ser visto como um ativo econômico com muitas oportunidades de negócios. Ao quantificar o valor econômico dessa biodiversidade, pode-se propor políticas públicas que a conservem e estimulem seu uso sustentável, de modo a inserir esta atividade em um modelo de desenvolvimento que traga benefícios sociais e econômicos.

Em meio a esse cenário, nosso país conta com vantagens comparativas capazes de proporcionar excelentes oportunidades nesse campo, revelando-se como fonte importante à obtenção de vários materiais para a produção, tais como: biomassa, corantes, óleos vegetais, gorduras, fitoterápicos, antioxidantes e óleos essenciais. Além disso, contamos com conhecimento acumulado e com Institutos de Ciência e Tecnologia -os quais, quando bem coordenados -, são capazes de consolidar o nosso diferencial em Bioeconomia.

Essa perspectiva econômica configura-se como uma "aliança estratégica entre Vida e recursos", contribuindo para uma melhor gestão e restauração dos recursos naturais. Segundo o Panorama Ambiental da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), se não houver novos esforços para frear a perda de biodiversidade, mais de 10% desses recursos serão perdidos em quarenta anos, até 2050.

Para concluir, nós podemos citar pontualmente os seguintes benefícios proporcionados pelas ações bioeconômicas:

- combate ao aquecimento global

- agregação de valor para a agricultura

- preservação da flora e da fauna

- otimização do aproveitamento de resíduos

- contribuição para a segurança alimentar

- democratização do acesso à energia

- conciliação entre o progresso e a vida dos seres vivos

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