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O que é "Inteiro Ambiente"

Atualizado: Ago 17

Chamamos de Inteiro Ambiente" porque não é apenas um “meio” ou “o meio”. É, em verdade, a interação entre os ecossistemas (conjunto dos componentes bióticos e abióticos que comportam a vida nas regiões da litosfera, hidrosfera e atmosfera) com os componentes atuais que os permeiam: os componentes políticos, sociais, econômicos e espirituais, bem como com os aspectos referentes à “psicosfera” e à “tecnosfera”.



Meio” pode ser: um número fracionário, a parte equidistante entre dois pontos, a metade de algo ou de um todo, o que ocupa uma posição entre duas ou mais coisas, uma possibilidade de fazer qualquer coisa, o que serve para alcançar um fim ou realizar algo, recursos financeiros, como também expressa o “conjunto de elementos materiais e circunstâncias que influenciam um organismo vivo (grupos sociais, contexto geográfico).

Ambiente” refere-se ao que “rodeia ou envolve por todos os lados os seres vivos e/ou as coisas”, sendo o conjunto de condições materiais, culturais, psicológicas e morais que envolve uma ou mais pessoas.

De acordo com a Professora Flávia Neves, “meio ambiente” não é uma palavra composta e sim uma expressão e que deve ser analisada separadamente. Dessa forma, diz que a expressão “meio ambiente” é redundante (ou um pleonasmo), visto que as palavras meio e ambiente são suficientes para transmitir esse mesmo conceito.

Para as Organização das Nações Unidas (ONU) o “meio ambiente” é o conjunto de elementos físicos, químicos, biológicos e sociais que podem causar efeitos diretos ou indiretos sobre os seres vivos e as atividades humanas.

As ideias iniciais sobre os ecossistemas foram inicialmente descritos no final do século XIX e o termo foi primeiramente proposto em 1935 pelo ecologista britânico A.G. Tansley. Uma das definições mais conhecidas foi dada por Eugene Odum: chamando de “sistema ecológico ou ecossistema qualquer unidade (biossistema) que abranja todos os organismos que funcionam em conjunto (a comunidade biótica) numa dada área, interagindo com o ambiente físico de tal forma que um fluxo de energia produza estruturas bióticas claramente definidas e uma ciclagem de materiais entre as partes vivas e não vivas”.

Um ecossistema une os componentes bióticos (organismos vivos) com os componentes abióticos (componentes físicos como o ar, a água, o solo e os minerais), seja em uma pequena poça d’água, quanto em uma grande floresta.

Sendo assim, se conceituarmos o “ambiente” como um espaço onde ocorrem trocas naturais (matéria e energia) que permitem a existência da vida, podemos entender que o “inteiro ambiente” leva em consideração também que essas vidas interagem não apenas em termos de matéria e energia, como também com as consequências antrópicas que se refletem no tempo e espaço, assim como criam dimensões escalares que afetam direta ou indiretamente todos os ecossistemas terrestres.

Portanto, entendemos que o “Inteiro Ambiente” vai ao encontro da “teoria geral dos sistemas” proposto pelo biólogo austríaco Ludwig von Bertalanffy, em meados de 1940, que diz que: “um sistema é um conjunto de partes interagentes e interdependentes que, conjuntamente, formam um todo unitário com determinado objetivo e efetuam determinada função”. Dessa forma, a teoria geral dos sistemas pode ser aplicada tanto a nível orgânico (indivíduos) quanto a empresas (organizações) visto que são sistemas “abertos” que mantém intercâmbio contínuo de matéria, energia e informação com o ambiente, em uma abordagem global (em função das atuais interações tecnológicas e da rápida troca de informações).

O termo proposto de “Inteiro Ambiente” inclui, além da biosfera (camada do globo terrestre habitada pelos seres vivos e mantida por elementos contidos na atmosfera, litosfera e hidrosfera), a “psicosfera”, entendida como as inserções sócio-político-econômicas e espirituais, e a tecnosfera.

Volpi (2007) ressaltou que dentro da constituição de uma personalidade e de um caráter saudável há a necessidade do resgate da conexão perdida entre o ser humano e a natureza, para que se construam valores e assim garantir o futuro da humanidade e da vida no planeta, ao que ele chama de “ecopsicologia”. E, embora o termo “psicosfera” tenha sido aplicado à doutrina “espírita”, entendemos que, na definição do termo como “atmosfera psíquica”, a ecopsicologia, enquanto parte da psicosfera, vem a promover, no alcance psicológico, o que Capra (1996) percebeu como a “teia de conexões” que forma o mundo.

A tecnosfera, termo cunhado pelo geólogo e engenheiro Peter Haff (Duke University, EUA), engloba não apenas os artefatos tecnológicos como as interações entre os seres humanos, o desenvolvimento e uso dessas tecnologias e seu descarte.

Porém, devemos entender também que, no que nos referimos ao “Inteiro Ambiente”, compreender que as forças sócio-políticas-culturais não necessariamente sejam fatores de destruição e degradação dos sistemas naturais, e sim que promovem o deslocamento e a promoção de “múltiplos estados estáveis” (diferentes pontos de equilíbrio para diferentes pontos de observação) que devem ser multidisciplinarmente estudados, avaliados e solucionados sob uma ótica globalizada, atemporal e escalar.


Autora: Cymara Oshiro





REFERÊNCIAS


BARRETO, C.L. As origens históricas do conceito de desenvolvimento sustentável segundo a Conferência da ONU para o meio ambiente. Dissertação. Mestrado em História, Pontifícia Universidade Católica de Goiás, Goiânia, GO, 2017.


Bertalanffy, Ludwig Von (1975). Teoria Geral dos Sistemas 2 ed. Petrópolis: Vozes. 351 páginas


CAPRA, F. A teia da vida. 11. ed. São Paulo: Cultrix, 1996.


HAFF, Peter K. Humans and technology in the Anthropocene: Six rules. The Anthropocene Review, Sage, Thousand Oaks, v.1, n.2, 2014.



NEVES, Flávia. Meio ambiente ou meio-ambiente. Disponível em: https://duvidas.dicio.com.br/meio-ambiente-ou-meio-ambiente/


ODUM, E.P. Ecologia. Editora Guanabara Koogan S.A., Rio de Janeiro – RJ, 1988.


VIGLIO, J.E. & FERREIRA, L.C. O conceito de ecossistema, a ideia de equilíbrio e o movimento ambientalista. Caderno eletrônico de Ciências Sociais, Vitória, v.1., n.1., p 1-17, 2013. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/315469901_O_conceito_de_ecossistema_a_ideia_de_equilibrio_e_o_movimento_ambientalista



VOLPI, José Henrique. Fundamentos epistemológicos em direção a uma ecopsicologia. Tese. Programa de Doutorado em meio Ambiente e Desenvolvimento da Universidade Federal do Paraná. UFPR – Curitiba, 2007.


MACHADO, José Pedro. Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa. Livros Horizonte, Lisboa, 2003.






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